No Juruá, indígena é encontrado vivo após passar um mês perdido na mata

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Fonte: G1/AC

Moisés Melo Barbosa Kaxinawá, 24 anos, que estava desaparecido desde o dia 8 de abril, foi encontrado por pescadores na praia do Rio Tejo, nas proximidades da Vila Restauração, no município de Marechal Thaumaturgo, interior do Acre, na manhã desta sexta-feira (8).

g1 conversou Moisés, que explicou que os 30 dias em que esteve desparecido foram de choro e muita angústia. O homem havia saído para caçar sozinho nas proximidades da Aldeia Bari, comunidade indígena Huni Kuin, no Jordão, interior do Acre.

O indígena foi encontrado por caçadores que estavam navegando no manancial e o ouviram gritar por socorro. Moisés contou que sobreviveu na mata se alimentando de frutas que achava pelo caminho.

“Encontrei as palhas de arvores no caminho e eu ia fazendo de abrigo, até para se esconder de bichos. Encontrei porco, veado, anta, macaco e uns rastros muito grandes de onça. Era muito difícil, pois, fiquei esse tempo sem ver nenhum humano, só mesmo os animais, deu muito medo”, destacou.

O indígena explicou que devido as fortes chuvas na região, sua espingarda acabou enferrujando e não funcionou mais.

Ao ser resgatado, o primeiro pedido de Moisés, foi que avisassem aos familiares dele, que estava bem e logo voltaria para casa.

“Ligaram para a minha família, todos choraram muito, e sem acreditar que eu estava vivo. Meu pai ainda está na mata procurando por mim, e não sabe que voltei. Quando vi esses pescadores, foi uma alegria tão grande”, declarou.

Resgatado e atendido

Quando chegou na comunidade, o homem foi socorrido pelo sub-prefeito da vila e encaminhado para a Unidade Básica de Saúde (UBS) Luiz Fontineli, onde recebeu atendimento médico e neste sábado (9), é que deve voltar para casa, conforme o prefeito do Jordão, Naudo Ribeiro (PP).

“Entramos em contato com o Distrito Sanitário Especial Indígena (Dsei), e neste sábado deve ser feito o resgate do Moisés. Acredito que o deslocamento até Marechal será feito de avião ou voadeira, lá ele deve ter mais atendimento médico e se tiver bem, é que vai voltar para o Jordão”, disse.

Buscas

Logo após desaparecer, o tenente Rosenildo Pires recebeu o chamado, à época, ele explicou que uma guarnição composta por três militares, atuou desde o dia 14 de abril nas buscas, contudo, a chuva na região foi determinante para o encerramento da operação em 19 de abril.

“Choveu todos os dias durante a missão. As buscas foram feitas com a guarnição, todavia, não se obteve nenhum vestígio do perdido, o que dificultou ainda mais encontrá-lo”, destacou.

Ainda conforme a corporação, o pai de Moisés e mais dois parentes ajudaram nas buscas. Ao longo dos dias, a guarnição também utilizou fogos de artifício e até bombas como meios de sinalização para tentar respostas do jovem.

“No quinto dia, os militares e familiares não tinham mais suprimentos. Como não tivemos nenhum vestígio do perdido e, para a segurança de todos, resolvemos encerrar as buscas, visto que a sinalização não teve sucesso e isso dificultou ainda mais encontrá-lo”, acrescentou o tenente.

Quando saiu para caçada, Moisés levou uma espingarda, facão e um isqueiro. Inicialmente, o caso havia sido atendido pelos bombeiros de Tarauacá. Contudo, como a guarnição estava em busca de um adolescente que também tinha desaparecido, foi repassado para os bombeiros de Cruzeiro do Sul.

Jovem é liderança

Quando sumiu, o g1 conversou com o pai da vítima, Fernando Barbosa Kaxinawá, de 47 anos que disse que o filho é experiente em caçadas e nunca tinha desaparecido. “Meu filho ainda está na floresta, mas não conseguimos encontrá-lo. É bom caçador e nunca tinha feito isso antes”, disse.

O pai do jovem explicou à época que ele mora próximo à residência dos pais na Aldeia Bari e que a esposa dele está grávida de 4 meses. Mais velho de quatro irmãos, Moisés também é uma das lideranças da comunidade.

“Ele tem a própria casa aqui na aldeia com a esposa, eles têm um filho de 3 anos e ela ainda está grávida. Ele fazia tudo aqui na aldeia, estava sendo treinado para ser uma liderança e coordenava várias atividades. Eu nunca tinha sentido tanta tristeza, essa é a maior dor da minha vida”, contou.

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